Transportadora e logística: alinhando frota, expedição e atendimento

Por Érico Rodrigues4 min de leitura
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Numa transportadora, frota quer reduzir custo, expedição quer despachar rápido e atendimento quer prometer prazo curto, e as três se acusam quando algo atrasa. O indicador que une é o OTIF, entrega no prazo e completa, porque ele só melhora se as três se moverem juntas.

Por que as três áreas se acusam

ÁreaO que persegueO custo para as outras
FrotaCusto por quilômetro e ocupaçãoEspera por carga completa, e o prazo estoura
ExpediçãoDespachar rápidoVeículo sai com meia carga
AtendimentoPrometer prazo curtoCompromisso que a operação não sustenta
ManutençãoPrevenir quebraVeículo indisponível na janela de pico
Cada uma otimiza algo legítimo

O OTIF fecha as quatro portas porque ele exige entrega no prazo E completa. Consolidar carga demais estoura o prazo; despachar meia carga estoura o custo; prometer curto demais estoura os dois.

O quilômetro vazio é o custo invisível

Ele não aparece em nenhum relatório porque não gera receita nem despesa própria: está diluído no combustível, no pneu e na hora do motorista. Uma operação com 35% de quilômetro vazio está pagando um terço da frota para não transportar nada.

Medi-lo exige apenas comparar quilometragem total com quilometragem carregada, o que quase todo sistema de rastreamento já permite. E a redução costuma vir de roteirização e de frete de retorno, não de investimento.

Vale medir por rota, não só no agregado. Costuma haver duas ou três rotas que concentram a maior parte do vazio, e elas são justamente as que ninguém questiona porque sempre foram assim.

Metas que frota, expedição e atendimento movem juntas

  • Elevar o OTIF de 74% para 94% até 31/03
  • Elevar a ocupação média do veículo na saída de 68% para 88%
  • Reduzir o quilômetro rodado vazio de 34% para 18% do total
  • Reduzir a avaria de 2,4% para 0,6% dos volumes transportados
  • Reduzir o tempo médio de carga e descarga de 3h10 para 1h20
  • Reduzir o custo por entrega de R$ 38 para R$ 26

Os números são ilustrativos. Troque cada um pelo seu, e antes de definir meta de OTIF, confirme que a data PROMETIDA está sendo registrada no pedido: sem esse campo o indicador não existe, e o que se mede vira prazo médio, que é o menos útil.

Prazo prometido versus prazo médio

Para quem recebe, previsibilidade vale mais que velocidade. Um cliente que sabe que a entrega chega em cinco dias organiza a operação dele; um que às vezes recebe em dois e às vezes em oito precisa manter estoque de segurança, o que custa dinheiro dele.

Por isso o indicador certo é percentual de entregas dentro do prazo prometido, e não prazo médio. Uma transportadora com prazo médio maior e 96% de cumprimento é melhor fornecedora que uma com prazo médio menor e 70%.

Como fazer a meta chegar no motorista

A maior parte dos indicadores desta lista é movida por decisões de quem está na estrada e na doca, e eles raramente veem o número. O que costuma funcionar é escolher um indicador por função e deixá-lo visível na operação, atualizado por dia.

  1. Motorista: entregas no prazo da própria rota, e avaria.
  2. Expedição: ocupação do veículo na saída e tempo de carregamento.
  3. Roteirização: quilômetro vazio por rota.
  4. Atendimento: percentual de prazos prometidos que a operação conseguiu cumprir.

Perguntas frequentes

OTIF é difícil de medir?
Exige registrar a data prometida no momento do pedido, que é justamente o que costuma faltar. Sem esse campo, só dá para medir prazo médio, que é o indicador menos útil. Registrar a promessa é a mudança de processo que destrava a medição inteira.
Reduzir custo por entrega não piora o prazo?
Piora se vier sozinho, porque consolidação de carga é a forma mais rápida de baixar custo e ela adiciona espera. Custo por entrega com OTIF ao lado força a busca por ganho que não seja espera: roteirização, ocupação e tempo de doca.
E frota terceirizada?
Os mesmos indicadores, medidos por agregado ou por parceiro, com data prometida e data cumprida registradas. Sem esse registro, a discussão com o parceiro é sobre impressão, e a renegociação de contrato acontece sem base.

Como isso se chama, e por que o ciclo é de três meses

O que está descrito acima, escolher poucos números, dar um dono a cada um, dizer de onde ele sai e aonde precisa chegar, e olhar toda semana, é o método que se chama OKR. O nome importa pouco para quem toca a operação no dia a dia. Ele importa se você quiser procurar mais material, ou explicar para o embarcador por que três meses e não um ano.

E a resposta sobre o trimestre é prática, não teórica: três meses é longo o bastante para mover um número de verdade e curto o bastante para o time ainda lembrar o que combinou. Um ano vira carta de intenções; um mês vira lista de tarefas com nome bonito. Se o próximo passo for implantar, o cronograma de 30 dias tem o que fazer em cada semana.

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