Reunião 1:1 com o OKR na frente: o roteiro
A 1:1 é quinzenal, dura 30 minutos e a pauta é da pessoa, não do gestor. Abrir o resultado-chave dela no começo dá contexto concreto e evita a conversa genérica de "como você está". O que nunca entra: status de tarefa, avaliação de desempenho e assunto que já cabe no check-in do time.
Por que abrir o OKR na frente?
Porque a 1:1 sem âncora vira "como você está" seguido de "tudo bem", e trinta minutos depois ninguém disse nada. O resultado-chave da pessoa dá um objeto concreto para a conversa girar, e ele é dela, não do gestor.
A diferença aparece na segunda pergunta. "Como você está?" pede uma avaliação genérica que ninguém sabe dar. "O que está travando esse número?" pede um fato, e o fato puxa o resto: falta de contexto, dependência de outra área, prioridade confusa, cansaço.
O roteiro, em quatro perguntas
| Tempo | Pergunta | O que ela busca |
|---|---|---|
| 0 a 5 | O que você quer falar hoje? | A pauta é da pessoa. Isto vem primeiro, sempre |
| 5 a 15 | O que está travando o seu número? | Obstáculo concreto, não sensação |
| 15 a 25 | O que eu posso fazer que ajudaria? | Transforma o gestor em recurso, não em cobrador |
| 25 a 30 | Tem algo que você não me contaria se eu não perguntasse? | A pergunta que abre o que estava fechado |
A quarta pergunta parece esquisita na primeira vez e é a mais valiosa das quatro. Ela dá permissão explícita para trazer o assunto difícil, e a resposta costuma vir na segunda ou terceira 1:1, não na primeira.
Se as cinco primeiras 1:1 forem ocupadas por status de tarefa, a quarta pergunta nunca vai ter espaço. A disciplina de tirar status da pauta não é preciosismo: é o que abre a janela para a conversa que só existe ali.
O que nunca entra
- Status de tarefa. Isso é a reunião do time, e repetir aqui desperdiça o único espaço individual.
- Avaliação de desempenho formal. Ela tem momento próprio, e misturar faz a pessoa se defender em toda 1:1.
- Feedback negativo guardado para a ocasião. Feedback tem prazo de validade curto.
- Assunto que envolve uma terceira pessoa que não está na sala, quando ele vira julgamento.
- Decisão que precisa do time. A 1:1 não é o lugar de decidir por cima da reunião coletiva.
Quinzenal ou semanal?
Quinzenal, na maioria dos casos. Semanal costuma virar status porque não deu tempo de nada acontecer entre uma e outra, e a pessoa chega sem assunto próprio. Duas semanas é o intervalo em que existe novidade real.
As exceções valem a pena nomear: pessoa nos primeiros 90 dias, alguém em transição de função, e período de crise. Nesses três, semanal por um tempo definido, voltando a quinzenal depois.
O erro que esvazia a 1:1
Cancelar. E ele quase nunca é decisão consciente: a semana aperta, o gestor remarca, remarca de novo, e a terceira vez não é remarcada. Do ponto de vista da pessoa, a mensagem é clara e não é a que o gestor quis dar.
A regra que funciona: remarcar sempre na mesma conversa em que se cancela, com data nova. Nunca "vamos ver quando dá". E se acontecer duas vezes seguidas, vale dizer em voz alta que foi por sua causa e não por prioridade dela.
Perguntas frequentes
- Quantas pessoas dá para ter 1:1 quinzenal?
- Sete ou oito, e é uma das razões práticas para amplitude de comando não passar disso. Com doze pessoas, são seis horas quinzenais só de 1:1, e o que costuma acontecer é a reunião ficar mensal e perder metade do valor.
- Preciso anotar?
- Duas coisas só: o que a pessoa pediu e o que você prometeu. Ata longa transforma a conversa em registro e a pessoa passa a escolher o que fala. Reler os dois itens antes da 1:1 seguinte é o que faz a promessa não se perder, e é onde a confiança se constrói.
- A 1:1 substitui a avaliação de desempenho?
- Não, e são conversas com naturezas opostas: a 1:1 é sobre remover obstáculo, a avaliação é sobre julgar desempenho. Quando a segunda invade a primeira, a pessoa passa a se apresentar bem em vez de trazer problema, e a 1:1 perde a única coisa que ela faz bem.
- E se a pessoa não tem assunto?
- Nas primeiras vezes é normal, principalmente se ela nunca teve 1:1 antes. É aí que o número aberto ajuda: começar pelo obstáculo do resultado-chave dá um caminho concreto. Depois de três ou quatro encontros, a pauta própria costuma aparecer sozinha.
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