Como fazer a reunião de check-in de OKR em 25 minutos, com a pauta pronta

Por Érico Rodrigues5 min de leitura
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O check-in de OKR leva 25 minutos e tem três partes: cada dono diz o número da semana em até dois minutos, o grupo olha só o que está em risco, e sai uma ação com dono e prazo para cada item em risco. O que nunca entra: apresentação, slide, discussão de solução e assunto que não seja resultado-chave.

A pauta, minuto a minuto

TempoO que aconteceQuem fala
0 a 2Abertura: o objetivo é lido em voz altaQuem conduz
2 a 10Rodada de números: cada dono diz onde está e se mudouCada dono, 2 min
10 a 20Só o que está em risco: o que trava e o que muda até semana que vemQuem está atrás
20 a 24Ações: dono e prazo para cada riscoQuem conduz registra
24 a 25Fechamento: alguém precisa de ajuda de fora do time?Todos
25 minutos, para um time com 4 resultados-chave

Ler o objetivo em voz alta nos dois primeiros minutos parece cerimônia e é a parte que mais rende. Depois da quinta semana as pessoas param de lembrar por que aqueles números importam, e a reunião degenera em prestação de contas. A leitura recoloca o sentido de graça.

A rodada de números: o que exatamente cada um diz

Três frases, e nada além disso:

  1. O número de hoje. "A conversão está em 26%."
  2. Se mudou desde a semana passada, e para onde. "Subiu 1 ponto."
  3. A confiança de chegar na meta: no caminho, atenção ou em risco.

A terceira é a mais importante e a mais esquecida. O número diz onde você está; a confiança diz o que o dono acha que vai acontecer, e é isso que permite agir na semana 6 em vez de descobrir na 12.

Se alguém não sabe o número, isso não é falha pessoal, é sinal de que aquele resultado-chave é caro demais de medir. Anote e resolva o custo da coleta, não a disciplina da pessoa. Repetir a cobrança sem baixar o custo garante o mesmo resultado na semana seguinte.

Check-in guiado do Orzon pedindo o novo valor e o nível de confiança do resultado-chave
O check-in pede as três coisas do roteiro: o número, se mudou, e a confiança de chegar

As três regras que salvam a reunião

Regra 1: discussão de solução sai da sala

É o que mais estraga check-in. Alguém diz que o número está travado, duas pessoas começam a debater como resolver, e vinte minutos depois metade da sala está assistindo a uma conversa que não é dela.

O conserto é uma frase pronta, dita por quem conduz: "isso rende uma conversa própria, quem precisa estar nela?". Marca-se para depois, com duas ou três pessoas, e a reunião segue.

Regra 2: acontece mesmo vazia

Um check-in de oito minutos em que todos dizem "sem mudança" preserva o hábito, e o hábito é o ativo. Cancelar porque "não tem muito a dizer" é o primeiro passo do fim: na semana seguinte cancela de novo, e na terceira ninguém marca mais.

Regra 3: só quem é dono participa

Uma reunião com quinze pessoas em que doze só assistem é uma reunião de status disfarçada, e ela vai ser cancelada por bom senso em algumas semanas. Times separados, check-ins separados, com uma leitura conjunta a cada duas ou três semanas.

O que nunca entra no check-in

  • Apresentação e slide. Se precisou de slide, virou reunião de resultado.
  • Assunto que não é resultado-chave, por mais urgente que pareça.
  • Avaliação de pessoa. Check-in é sobre número, não sobre desempenho de quem responde por ele.
  • Renegociação de meta. Isso é assunto da revisão de meio de ciclo, na semana 6 ou 7.
  • Trabalho novo. Se aparecer uma ideia boa, ela vira item da lista de espera, não tarefa da semana.

A quarta linha merece firmeza. Quando a meta vira negociável toda semana, ela deixa de ser meta. Existe um momento certo para mudar, e ele é no meio do ciclo, com a decisão explícita de que o mundo mudou, não de que a meta ficou difícil.

Como registrar sem burocratizar

Duas coisas, e só duas: o número de cada resultado-chave e as ações que saíram, com dono e prazo. Ata de check-in longa não é lida por ninguém, e escrever uma consome mais tempo que a reunião inteira.

O registro do número importa mais do que parece: é ele que forma a curva. Sem ela, na semana 10 ninguém sabe se aquele indicador vinha subindo devagar ou se travou há um mês, que são diagnósticos com ações opostas.

Perguntas frequentes

Qual o melhor dia e horário?
Segunda de manhã funciona bem porque a semana ainda pode ser reorganizada em função do que aparecer. Sexta à tarde é o pior: o que se descobre não tem como virar ação antes de segunda, e a informação esfria no fim de semana. O que importa mais que o dia é ser sempre o mesmo.
E se o time é remoto?
Funciona igual, e vale reforçar duas coisas: câmera ligada na rodada de números, porque ela é curta e a presença ajuda, e o registro do número feito ANTES da reunião, não durante. Remoto ou não, a reunião não é para preencher planilha.
Quem deve conduzir?
Alguém com autoridade para interromper uma discussão, o que geralmente é o líder do time. Não precisa ser quem mais entende dos números; precisa ser quem consegue dizer "isso rende uma conversa própria" sem que a sala ache ruim.
25 minutos dá para quantos resultados-chave?
Quatro ou cinco, contando dois minutos de rodada e dez de discussão dos que estão em risco. Se o time tem oito resultados-chave, o problema não é a duração da reunião: são resultados-chave demais, e o check-in está sendo o primeiro lugar onde isso aparece.
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