Restaurante e food service: metas de salão, cozinha e delivery que não se contradizem

Por Érico Rodrigues5 min de leitura
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Um restaurante opera três negócios ao mesmo tempo: salão, cozinha e delivery, com margens e ritmos diferentes. O número que os une é o CMV, o custo de mercadoria vendida, porque ele é afetado por compra, por porcionamento, por desperdício e por mix vendido, que são responsabilidades das três áreas.

O CMV e suas quatro causas

CausaComo identificarQuem move
Preço de compraComparar custo de insumo mês a mêsCompras
PorcionamentoPesar amostras de pratos prontosCozinha
Desperdício e sobraPesar o que vai para o lixo por turnoCozinha e compras
Mix vendidoCMV por prato contra participação nas vendasSalão e cardápio
O mesmo CMV alto, quatro diagnósticos

A quarta é a menos óbvia e frequentemente a maior. Um restaurante cujos pratos mais vendidos são justamente os de maior CMV tem um problema de cardápio e de sugestão de venda, não de compra nem de cozinha. E ele é resolvível reorganizando o cardápio.

Pesar o desperdício por turno, por uma semana, é o exercício de melhor retorno do setor. A quantidade costuma chocar a cozinha, e o simples fato de estar sendo pesado já reduz o número nas primeiras semanas, antes de qualquer mudança de processo.

Giro de mesa é receita sem cliente novo

No horário de pico, a capacidade é fixa: o número de mesas não muda. O que muda é quantas vezes cada mesa é usada, e isso depende de tempo de preparo, de tempo de atendimento e de fechamento da conta.

Um restaurante que reduz em quinze minutos o ciclo completo da mesa no almoço ganha uma rotação inteira em duas horas de pico, com a mesma equipe e a mesma estrutura. É o ganho mais barato disponível.

Delivery é outra economia

A taxa de plataforma muda a conta completamente, e é comum um restaurante ter margem positiva no salão e negativa no delivery sem saber, porque olha o faturamento total.

A separação é obrigatória: CMV, embalagem, taxa e tempo de preparo do delivery calculados à parte. E o cardápio de delivery frequentemente precisa ser diferente do de salão, com pratos que suportam transporte e têm margem para absorver a taxa.

Metas para salão, cozinha e delivery ao mesmo tempo

  • Reduzir o CMV de 38% para 31% da receita até 31/03
  • Reduzir o desperdício de 6,4% para 2,0% do insumo comprado
  • Elevar o giro de mesa no almoço de 1,8 para 2,4 rotações
  • Reduzir o tempo médio de preparo no pico de 24 para 14 minutos
  • Elevar a margem do delivery de 4% para 15%
  • Elevar de 4,1 para 4,7 a nota média nas avaliações públicas

Os números são ilustrativos. Troque cada um pelo seu, e calcule o CMV com inventário de verdade antes de definir meta: CMV estimado costuma estar vários pontos abaixo do real, e perseguir uma meta a partir dele é perseguir o número errado.

A avaliação pública é marketing gratuito

É o indicador de captação mais barato do setor e o menos gerenciado. A diferença entre 4,1 e 4,7 numa plataforma de avaliação muda o volume de cliente novo de forma mensurável, e ela não exige investimento em mídia.

O que a move: pedir avaliação no momento certo, responder às negativas rapidamente, e atacar a causa que se repete nos comentários. Ler os comentários de duas e três estrelas por um mês costuma revelar duas causas concentradas.

Perguntas frequentes

Como medir CMV sem sistema?
Inventário no início e no fim do mês, mais as compras do período. É trabalhoso e é a única forma confiável no começo. Fazer isso por três meses seguidos já mostra a tendência e revela se o problema está em compra, porção ou desperdício.
Ficha técnica de prato vale o esforço?
Vale, e ela é o que torna o CMV gerenciável em vez de observável. Sem ficha técnica, você sabe que o CMV subiu e não sabe onde. Com ela, dá para comparar custo teórico e real por prato, e a diferença aponta direto para porcionamento ou desperdício.
Meta para a cozinha não pressiona a qualidade?
Pressiona se for só de custo. Tempo de preparo e CMV precisam vir com a nota de avaliação ao lado, que é o par que segura. Os três juntos forçam a conversa sobre processo e mise en place, que é onde está o ganho real.

Isto tem nome, e o nome importa pouco na cozinha

O que está descrito acima, escolher poucos números, dar um dono a cada um, dizer de onde ele sai e aonde precisa chegar, e olhar toda semana, é o método que se chama OKR. O nome importa pouco para quem toca o restaurante no dia a dia. Ele importa se você quiser procurar mais material, ou explicar para a cozinha por que três meses e não um ano.

E a resposta sobre o trimestre é prática, não teórica: três meses é longo o bastante para mover um número de verdade e curto o bastante para o time ainda lembrar o que combinou. Um ano vira carta de intenções; um mês vira lista de tarefas com nome bonito. Se o próximo passo for implantar, o cronograma de 30 dias tem o que fazer em cada semana.

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