Rede de salões e barbearias: alinhando unidades sem tirar a autonomia

Por Érico Rodrigues4 min de leitura
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Numa rede de salões, agenda cheia e resultado são coisas diferentes: o que separa as duas é a taxa de retorno do cliente e a ocupação da cadeira nos horários de menor movimento. Padronizar deve alcançar o que o cliente sente e o que o número mostra, deixando a autonomia onde ela não afeta nenhum dos dois.

Agenda cheia não é resultado

Um salão pode ter agenda cheia no sábado e vazia na terça, e o custo fixo é o mesmo nos dois dias. O indicador que mostra isso é a ocupação por faixa de horário, e ele revela a capacidade que existe e não é vendida.

A outra metade da história é quem está sentado na cadeira. Um salão que atende cem clientes diferentes por mês e outro que atende os mesmos cinquenta duas vezes têm economias completamente diferentes: o segundo gasta menos em atração e tem receita mais previsível.

IndicadorO que revelaQuem move
Taxa de retorno em 45 diasSe a base está sendo construídaProfissional e recepção
Ocupação por faixa de horárioCapacidade não vendidaRecepção e gestão
Reagendamento no atoA causa raiz do retornoProfissional
Ticket médio por atendimentoSe serviços complementares são oferecidosProfissional
Venda de produto sobre serviçoMargem adicional sem cadeira ocupadaProfissional
Comparativo entre unidadesOnde está a diferença de gestãoRede
Os indicadores da rede

Reagendar antes de o cliente sair

É a mudança de processo com melhor relação entre esforço e retorno do setor, e ela é gratuita. O cliente que sai com a próxima data marcada volta em taxa muito maior que o que sai com a intenção de ligar depois.

É o mesmo mecanismo que funciona em clínica odontológica: transformar um contato futuro incerto em um compromisso já marcado. O indicador que mede é o percentual de atendimentos que saem com o próximo agendado, e ele é totalmente controlável.

O que padronizar e o que deixar livre

O erro de rede é padronizar tudo, o que engessa unidades com realidades diferentes e gera resistência. E o erro oposto, deixar tudo livre, faz a marca significar coisas diferentes em cada endereço.

PadronizarDeixar autônomo
Protocolo de atendimento e recepçãoEscala e horário de funcionamento
Reagendamento no atoComposição da equipe
Registro de cliente e históricoAções locais de captação
Indicadores acompanhadosComo cada unidade atinge a meta
Identidade visual e comunicaçãoMix de serviços complementares
A divisão que costuma funcionar

Metas que a rede inteira consegue comparar

  • Elevar a taxa de retorno em 45 dias de 34% para 58% até 31/03
  • Elevar de 18% para 70% os atendimentos que saem com o próximo já agendado
  • Elevar a ocupação de terça a quinta de 41% para 68%
  • Elevar o ticket médio de R$ 68 para R$ 94
  • Elevar a venda de produto de 4% para 12% da receita
  • Reduzir de 22% para 8% a diferença de retorno entre a melhor e a pior unidade

Os números são ilustrativos. Troque cada um pelo seu, e comece pela taxa de retorno: ela exige registrar o cliente e não só o horário, que é o que muitos salões não fazem, e sem isso não há gestão de base possível.

Perguntas frequentes

Comissão por profissional atrapalha a padronização?
Não, e ela costuma ser necessária no setor. O cuidado é o par: comissão sobre volume sem indicador de retorno empurra para atender rápido e não construir relação. Comissão com retorno ao lado alinha o interesse do profissional ao do salão.
Como medir retorno sem sistema?
Uma agenda com nome do cliente e data já basta: quantos dos atendidos há 45 dias voltaram. O trabalho é registrar o cliente, e não só o horário, que é o que muitos salões não fazem e é o que impede qualquer gestão de base.
Como preencher os horários vazios?
Com oferta dirigida a quem já é cliente e costuma vir no fim de semana, não com desconto aberto. Desconto público em horário vazio migra o cliente do sábado para a terça pagando menos, o que reduz receita em vez de aumentar ocupação.

O nome disto, e por que três meses

O que está descrito acima, escolher poucos números, dar um dono a cada um, dizer de onde ele sai e aonde precisa chegar, e olhar toda semana, é o método que se chama OKR. O nome importa pouco para quem toca o salão no dia a dia. Ele importa se você quiser procurar mais material, ou explicar para os profissionais por que três meses e não um ano.

E a resposta sobre o trimestre é prática, não teórica: três meses é longo o bastante para mover um número de verdade e curto o bastante para o time ainda lembrar o que combinou. Um ano vira carta de intenções; um mês vira lista de tarefas com nome bonito. Se o próximo passo for implantar, o cronograma de 30 dias tem o que fazer em cada semana.

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