Gestão de equipe de vendas por OKR: metas de resultado, não de esforço

Por Érico Rodrigues5 min de leitura
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Time comercial é o mais fácil de medir e o mais fácil de medir errado. Metas de atividade (ligações, visitas, propostas) medem esforço e são o que a maioria acompanha; metas de resultado medem o que a empresa recebe. O OKR do comercial precisa de pelo menos três números que se equilibram, senão o time otimiza um machucando outro.

Atividade tem lugar, e não é no OKR

Número de ligações, reuniões marcadas e propostas enviadas são informação útil de gestão diária: eles antecipam o resultado em algumas semanas e permitem agir antes. O erro é confundir isso com resultado-chave.

O teste é o de sempre: se o vendedor fizer exatamente 300 ligações e a receita não mudar, ele bateu a meta? Se a resposta for sim, é atividade. Atividade é o que o gestor acompanha na terça; resultado é o que a empresa persegue no trimestre.

CamadaExemploRitmo
AtividadeLigações, reuniões marcadas, propostas enviadasDiário e semanal, com o gestor
Indicador de funilConversão por etapa, ciclo médio, ticketSemanal, no painel
Resultado-chaveElevar a conversão de proposta em contrato de 22% para 31%Trimestral, no OKR
ComissãoPercentual sobre a venda fechadaMensal, fora do OKR
Onde cada coisa vive

Os três números que precisam andar juntos

Receita sozinha é o resultado-chave mais perigoso do comercial, porque a forma mais rápida de batê-la é dar desconto. O time entrega o número e a empresa piora, e ninguém está agindo de má fé.

  • Um de VOLUME: receita nova, clientes novos, ou contratos fechados.
  • Um de MARGEM: desconto médio, ticket médio, ou participação do plano anual.
  • Um de SUSTENTAÇÃO: churn, retenção, ou permanência mínima do cliente novo.

O terceiro é o mais esquecido e o que mais custa. Um trimestre de vendas agressivas sem indicador de sustentação enche a base de cliente errado, e a conta chega no segundo trimestre como churn. Quando chega, ninguém liga uma coisa à outra.

OKR e comissão: por que separar

Comissão remunera o resultado individual e precisa ser previsível: o vendedor tem de conseguir calcular quanto vai receber. OKR orienta a aposta coletiva do trimestre e precisa ser ambicioso o bastante para às vezes não ser batido.

São exigências opostas, e amarrar as duas produz um efeito conhecido: no ciclo seguinte todo mundo escreve resultado-chave que já sabe que vai bater. O sintoma é uma empresa em que 100% das metas comerciais são atingidas, o que parece ótimo e é um alarme.

O arranjo que funciona: a comissão continua atrelada a dois ou três indicadores duros e previsíveis, e o OKR fica livre, fora do cálculo. E isso precisa ser dito em voz alta, porque o time vai supor o contrário.

Meta de time e meta individual

Comercial é a área em que meta individual faz mais sentido, e mesmo aqui ela não deve entrar no OKR. A meta individual vive no plano de remuneração; o OKR é do time.

Na prática isso significa que o resultado-chave "elevar a conversão de proposta em contrato de 22% para 31%" é do time inteiro, com um dono que responde pelo número. Como cada vendedor contribui é conversa de 1:1 e de comissão, não do quadro de OKR.

O que muda na rotina do gestor comercial

  1. A reunião de pipeline continua existindo, semanal, sobre oportunidades e atividade.
  2. O check-in de OKR é separado e curto, sobre os três números do trimestre.
  3. A 1:1 quinzenal é sobre obstáculo, não sobre número de ligações.
  4. O funil vira painel permanente, com faixa saudável por etapa, e não meta trimestral em tudo.

Separar a reunião de pipeline do check-in de OKR parece burocracia e economiza tempo. Misturadas, a conversa sempre desce para a oportunidade específica de um vendedor, e os outros assistem. Separadas, a segunda dura vinte minutos e todo mundo participa.

Perguntas frequentes

Vendedor deve ter OKR próprio?
Não, e o comercial é onde a tentação é maior. O vendedor já tem meta individual no plano de comissão, que é o instrumento certo para isso. Dar a ele um OKR além disso produz duas metas concorrentes, e ele vai perseguir a que paga.
E se a empresa é só comercial?
Numa empresa em que quase todo mundo vende, o OKR da empresa e o do comercial são o mesmo, e isso é normal. O cuidado é não deixar todos os resultados-chave serem de receita: os pares de margem e sustentação continuam necessários, e sem outra área para lembrar disso, é o gestor comercial que precisa se cobrar.
Como acompanhar sem parecer cobrança?
Separando as duas conversas. O check-in é sobre o número do time e o que trava; a cobrança individual, quando necessária, acontece na 1:1. Quando as duas se misturam na frente do grupo, o vendedor passa a gerenciar a percepção em vez de trazer o problema.
Qual indicador de topo escolher?
O que estiver mais próximo de dinheiro e que o time consiga mover: reuniões qualificadas por vendedor costuma funcionar melhor que leads gerados, porque leads dependem de marketing. Escolher um indicador que o time não controla transfere a frustração sem transferir a alavanca.
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