Corretora de seguros: da meta de produção à meta de renovação
Numa corretora, produção nova é o que se comemora e renovação é o que sustenta. Uma carteira com 70% de renovação e outra com 90% têm crescimentos completamente diferentes com o mesmo esforço comercial, porque a primeira precisa repor um terço da base todo ano só para ficar no mesmo lugar.
A aritmética da renovação
Uma carteira de mil apólices com 70% de renovação perde 300 por ano. Para crescer 10%, a corretora precisa vender 400 apólices novas. Com 90% de renovação, ela precisa de 200 para o mesmo crescimento.
É o mesmo esforço comercial produzindo o dobro de resultado, e a diferença não está em vender melhor: está em não perder. Isso torna a renovação o indicador de maior alavancagem da corretora, e ela costuma não ter dono.
| Indicador | O que revela | Quem move |
|---|---|---|
| Taxa de renovação | Se a carteira sustenta ou vaza | Atendimento e corretor |
| Contato antes do vencimento | A causa raiz da não renovação | Atendimento |
| Mix de produtos por cliente | Crescimento sem custo de aquisição | Corretor |
| Sinistralidade da carteira | Se a seguradora mantém as condições | Subscrição e corretor |
| Tempo de resposta na cotação | Conversão de oportunidade | Atendimento |
| Comissão média por apólice | Se o mix vendido é rentável | Corretor |
A perda por inércia
Boa parte da não renovação não é decisão do cliente: é ausência de contato. A apólice vence, ninguém liga, o cliente recebe uma cotação de outro corretor e troca sem ter ficado insatisfeito.
O indicador que resolve isso é simples: percentual de apólices contatadas com 45 dias de antecedência do vencimento. Ele é totalmente controlável pela corretora e explica grande parte da variação de renovação entre corretoras semelhantes.
Mix é a venda mais barata
Um cliente que tem só o seguro auto e poderia ter residencial, vida e viagem representa receita sem custo de aquisição: ele já confia, já está cadastrado e já tem relacionamento.
E o efeito colateral é ainda mais valioso: cliente com dois ou mais produtos renova em taxa muito maior que cliente com um só. Mix e renovação se reforçam, o que faz do mix a alavanca dupla da corretora.
Metas que sustentam a carteira, não só a produção
- Elevar a taxa de renovação de 71% para 88% até 31/03
- Elevar de 34% para 95% as apólices contatadas 45 dias antes do vencimento
- Elevar de 1,3 para 2,1 os produtos por cliente ativo
- Reduzir o tempo médio de resposta na cotação de 2 dias para 4 horas
- Elevar de 18% para 40% os clientes com dois ou mais produtos
- Reduzir a sinistralidade da carteira de 68% para 54%
Os números são ilustrativos. Troque cada um pelo seu, e confira o denominador da renovação: apólices renovadas sobre apólices que VENCERAM, nunca sobre o total da carteira. O erro infla o número e esconde o vazamento.
Sinistralidade é gestão de longo prazo
Ela não muda em um trimestre e decide as condições que a seguradora oferece à corretora no ano seguinte. Uma carteira com sinistralidade alta perde comissão, perde condição e em casos extremos perde a parceria.
O que a corretora controla é a subscrição: para quem ela vende e com que perfil. Medir sinistralidade por corretor e por segmento costuma revelar concentração, e ela é endereçável na política de aceitação.
Perguntas frequentes
- Como medir renovação corretamente?
- Apólices renovadas dividido por apólices que venceram no período, e não por total de apólices. O erro comum de denominador infla o número e esconde o vazamento, especialmente em carteira que cresce, porque as apólices novas diluem a conta.
- Corretor autônomo aceita meta?
- Aceita informação e reconhecimento melhor que meta imposta, como em qualquer equipe não empregada. Mostrar a renovação da carteira dele comparada à média costuma gerar ação, principalmente porque a renovação é receita dele que está sendo perdida sem esforço.
- Vale investir em produto de comissão baixa para ampliar mix?
- Vale quando ele eleva a renovação do conjunto, que costuma ser o caso. A conta certa não é a comissão daquele produto isolado, e sim o valor da carteira do cliente ao longo dos anos, que sobe quando ele tem mais de um produto na mesma corretora.
Isto tem nome, e ele ajuda a procurar mais
O que está descrito acima, escolher poucos números, dar um dono a cada um, dizer de onde ele sai e aonde precisa chegar, e olhar toda semana, é o método que se chama OKR. O nome importa pouco para quem toca a corretora no dia a dia. Ele importa se você quiser procurar mais material, ou explicar para os corretores por que três meses e não um ano.
E a resposta sobre o trimestre é prática, não teórica: três meses é longo o bastante para mover um número de verdade e curto o bastante para o time ainda lembrar o que combinou. Um ano vira carta de intenções; um mês vira lista de tarefas com nome bonito. Se o próximo passo for implantar, o cronograma de 30 dias tem o que fazer em cada semana.
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