Como sair da planilha de OKR sem perder o histórico

Por Érico Rodrigues4 min de leitura
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Antes de migrar, exporte a aba de check-in semanal como CSV: é o único dado que não se reconstrói depois. Os resultados-chave são poucos e se redigitam em uma hora. A janela certa para trocar é o fim de um ciclo, nunca o meio, e o roteiro leva meio dia se você não tentar migrar tudo.

O que se perde e o que não se perde

O queSe reconstrói?O que fazer
Objetivos e resultados-chave do ciclo atualSim, em uma horaRedigitar. Importar dá mais trabalho
Série semanal de cada númeroNãoExportar CSV antes de qualquer coisa
Valor de partida e metaSimVai junto com o resultado-chave
Comentário e contexto nas célulasNão, e quase nunca importaCopiar só o que for decisão
Ciclos de mais de um anoNãoCongelar a planilha e deixá-la acessível
A conta honesta antes de começar

A segunda linha é a única urgente. A série semanal só existe se você montou a aba de check-in; se não montou, ela nunca existiu e não há o que perder. Se montou, ela é o ativo mais valioso da planilha e a única coisa que nenhuma ferramenta consegue recriar.

Qual é a janela certa?

O fim de um ciclo, com folga de uma semana antes de o próximo começar. Migrar no meio do trimestre é o pior momento possível: a empresa perde a referência do que combinou exatamente na hora de acompanhar, e o time atribui à ferramenta nova qualquer coisa que dê errado.

Se a planilha estiver insustentável no meio do ciclo, o remendo que funciona é congelar as metas e continuar até o fechamento, migrando na virada. Duas semanas de desconforto custam menos que um trimestre sem referência.

O roteiro, em cinco passos

  1. Exporte a aba de check-in como CSV. Guarde num lugar que não seja a própria planilha.
  2. Redigite o ciclo atual na ferramenta nova: objetivos, resultados-chave, partida, meta e dono.
  3. Lance os valores das últimas quatro semanas, para a curva não começar do zero.
  4. Rode as duas em paralelo por dois check-ins. É o que revela o que ficou faltando.
  5. Congele a planilha: tire a permissão de edição, renomeie com o ano e deixe acessível.

O passo 3 é o que quase todo mundo pula e o que mais rende. Uma ferramenta nova que começa com a curva vazia parece que apagou o passado, e o time perde a sensação de continuidade justamente na semana em que ele precisa confiar na mudança.

O passo 5 importa mais do que parece: congelar em vez de apagar. Nos primeiros meses alguém vai querer conferir um número antigo, e ter a planilha lá encerra a dúvida em trinta segundos. Depois de um ano, ninguém abre mais.

Configuração de integração no Orzon para trazer o indicador de uma planilha
O número que você atualizava à mão passa a entrar da própria planilha, sem digitação

O erro que mais atrapalha a migração

Tentar migrar tudo. Empresas chegam na ferramenta nova querendo importar três anos de histórico, e a migração vira um projeto de duas semanas que trava o ciclo inteiro.

A conta que resolve: quantas vezes nos últimos seis meses alguém consultou um dado de mais de um ano atrás? A resposta costuma ser zero ou uma. Migre o ciclo atual e o anterior, congele o resto, e comece a usar.

Perguntas frequentes

E se a ferramenta nova não importa CSV?
Redigitar um ciclo com quatro ou cinco resultados-chave leva menos de uma hora, e o resultado costuma ser melhor: você revisa o texto de cada um em vez de importar formulações antigas que já não fazem sentido. Importação só compensa acima de umas trinta linhas.
Vale migrar com a empresa inteira de uma vez?
Em empresa de até cinquenta pessoas, sim, porque rodar dois sistemas em paralelo por time custa mais que a migração. Acima disso, começar por um time que já tem a cadência funcionando reduz o risco, e ele vira quem ensina os outros.
Preciso avisar o time antes?
Precisa, e vale explicar o motivo em uma frase. Migração anunciada como decisão técnica gera resistência silenciosa; anunciada como "o número está custando caro demais para atualizar, e isso é nosso problema" costuma gerar alívio, porque o time já sentia isso.
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